16 de dezembro de 2008

Algumas reflexões.

«Com as desigualdades sociais sempre a crescer, o aumento do desemprego que previsivelmente vai subir imenso, em 2009, a impunidade dos banqueiros delinquentes, o bloqueio na Justiça, e em especial, do Ministério Público e das polícias, estão a criar um clima de desconfiança - e de revolta - que não augura nada de bom. Oiçam-se as pessoas na rua, tome-se o pulso do que se passa nas universidades, nos bairros populares, nos transportes públicos, no pequeno comércio, nas fábricas e empresas que ameaçam falir, por toda a parte do País, e compreender-se-á que estamos perante um ingrediente que tem demasiadas componentes prestes a explodir.»
Mário Soares-DN

aqui tinha feito referência ao perigo de impulsão social que esta crise trás consigo, vamos viver dias difíceis, o descontentamento vai aumentar e os alvos desta ira não vão ser só os “Políticos”, é o próprio sistema económico e de organização social que vai ser posto em causa.

A classe Politica tem de estar atenta e actuar de forma eficaz, não bastam uma mão cheia de medidas que só vão servir para “tapar buracos” e que pouco ou nada se vão reflectir no dia-a-dia das pessoas, a impunidade e a forma como são tratados os “ladrões de gravata” do sistema financeiro envergonham e deixam qualquer Cidadão revoltado e angustiado pela forma como estes são tratados e como os Bancos que foram e são utilizados para lavar e tratar dinheiro são protegidos e comprados pelo Estado, ao mesmo tempo que o sector das PME’s vê de dia para dia o cerco a fechar-se e as ajudas como uma miragem só ao alcança de muito poucas empresas.

A revolta cresce dentro daqueles que sustentam com os seus impostos uma pesada máquina do Estado, que de cada vez que quer sacudir das suas costas uma série “direitos adquiridos”, vê as corporações apoiadas nos Sindicatos apelarem à revolta. É certo que não se podem fazer reformas sem que aqueles que por ela são afectados estarem em sintonia com o Governo, agora é ainda mais certo que se continuarmos desta forma muito dificilmente teremos um País sustentável para deixarmos aos nossos filhos.

Nestas alturas difíceis, onde mais que palavras temos de ter acção ser de Esquerda é agir, olhando para o Social, ajudando quem mais precisa, e chamar ao Estado a responsabilidade não só de proteger, mas também a de ser o impulsionador da Economia.
Não esperamos milagres, esperamos isso sim medidas concretas e pulso forte e firme, na convicção de que depois da tempestade virão dias melhores.

2 comentários:

João Reis disse...

Excelente reflexão. Numa altura destas todos precisamos de fazer o mesmo, reflectir e agir.
Parabens Pedro!

Elisiário Figueiredo disse...

Pedro Tomás

Mário Soares mostra aqui como uma pessoa com 84 anos feitos no passado dia 7 tem a lucidez e o discernimento para analisar os problemas de hoje, contrastando com uns tantos que por ai andam, diz no seu artigo coisas muito mais importantes do que aquelas que são apontadas aqui neste seu post, escreve sobre as consequências destas politicas neoliberais sobre toda a Europa, apontando para Portugal as desigualdades que cada vez são mais crescentes, mais vergonhosas e mais gritantes, A UE após a reunião do fim de semana passado identificou alguns problemas mas não apresentou medidas de corte, medidas radicais de forma a atacar-se o problema de frente, não pode, não sabe, não quer, não tem poderes para isso?

Mário Soares com este artigo posicionou-se junto daqueles que pensam que com estas politicas não vamos a lado nenhum, só não esteve na reunião das esquerdas, talvez por orgulho, mas teve lá quem lhe contasse tim tim por tim tim tudo o que se lá passou, o seu amigo Carvalho da Silva ou José Neves ou Carolina Tito de Morais ou Edmundo Pedro para só falar nos mais conhecidos.

Mário Soares é uma referencia de Democrata, cometeu erros, todos os cometemos.